Alef – Bet: Uma canção da Alma para o seu Amado

Prólogo

 

Alguma Coisa esteve preenchida em ti, mas vazia de ti… Ela nasce, então! Com seus véus esvoaçantes deixa o seu aroma se misturar às partículas do ar e poliniza-o, todos respiram e sorvem do seu hálito…

Primeiro Ato

Antes da criação das horas, o Sem-Nome preenchia o Palácio da Infinitude, e nenhuma ponte havia que ele pudesse percorrer. A sua Luz, no entanto, chegava aos limites do ilimitado e nada deixava ver nem mesmo a brancura de suas vestes.

Mas a luz que fim não conhecia, também forma não tinha e de si nada podia sair que já não fosse ela. Completa como era precisou se abrir. A sua primeira ação foi engolir, correndo para dentro de si mesma. ¹O vazio veio à luz, e no vazio a escuridão se fez. Foi o primeiro crepúsculo e vinha a primeira núpcia!

No útero escuro um ²fio daquela luz derramou-se e passou a alimentá-lo; sua essência luminosa criava espasmos cada vez menos vigorosos de resplendor a medida em que se distanciavam no Sem-fim.

Como consequência desse movimento, as sombras surgiram, e cada sombra é uma ilusão criada pela aura luminosa do halo acima de si. E eram as noites e eram os dias o primeiro dia. E os dias e as noites a primeira noite.

Em cada uma dessas contrações, uma emanação do desejo sagrado ganhou forma; cabeça, braços, pernas, genitais, pés. Luz e ausência de Luz eles são.

Vontade foi a ação do criador. Desejo, a reação da criatura.

Obrigada pela leitura 🙂

 

***

¹ Halal

² Kav

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