A FRAUDE MENTAL: Sonhos Lúcidos são Ilusões de Controle – parte I

rrr21Já li muitas descrições de sonhos lúcidos e pelo que tenho juntado eles estão sempre num ambiente que aborda os nossos medos, os nossos desejos, anseios e curiosidade. Eu chegava a desconfiar que aquela lucidez é tão forjada quanto qualquer lucidez que se creia ter nesta nossa vida, uma vez que nada mesmo escolhemos, mas somos levados a escolher entre isto ou aquilo. Se o homem pudesse ele não escolhia, mas como ele não pode dar-se à ele a ilusão de liberdade oferecendo caminhos.

É o que fazem os sonhos supostamente lúcidos. Apesar da minha desconfiança, eu nunca experimentei um sonho “lúcido”, ao menos eu achava que não, mas a verdade é que eu estava experimentando relapsos dessa fraudulenta lucidez, no que o dia de hoje 30 de Agosto de 2021 aconteceu para me dá provas que de fato sonhos baseados em medos, desejos e o que mais lá eu disse, são uma mentira criada pela mente, ou melhor, uma informação que o sujeito insere na mente, assim como ele inseriu um dia que gosta de chocolate e passa a vida nesse lero-lero até que decida acreditar que já não precisa de doces. A mentira é mais profunda do que a gente pensa.

Em sonhos anteriores eu apareci dizendo que podia mudar a situação do sonho se eu quisesse, de modo que eu não me assustava com a trama, sabendo que aquele caminho se dissiparia apenas pela minha vontade, e logo eu estaria no conforto da verdade que escolhi. Como nunca acreditei em nenhuma lucidez eu não pude fazer uma ponte entre isso e o que as pessoas costumam relatar. Mas agora tornou-se clara para mim a fraude a partir de dois sonhos, no que os relato agora.


Primeiro Sonho

É o aniversário do meu pai. Minha mãe é possessiva. Ela esquarteja a vizinha e embrulha algumas partes do corpo numa caixa de presente, põe uma fita, e manda de presente para ele, na casa da minha avó que é onde acontecerá a festa. Meu avô, pai de minha mãe, fica responsável por enviar o presente pelos Correios. A questão é que eu e meus irmãos estamos sabendo do que a minha mãe fez, ela parece uma louca possessiva, um pouco distante de entender o real peso de seus atos. Meu avô leva um presente, eu e meus irmãos, especialmente minha irmã, tínhamos alguma esperança de que ele entregasse outro presente e não aquele, mas ele confunde os presentes; resultado, meu pai chega com a caixa em casa a vir cobrar explicações da minha mãe, ele carrega a mão da vizinha, e aqui a coisa fica mais estranha ainda, as unhas dela são gigantescas, como se ela fosse um demônio, são finas e gigantes e negras porque estão repletas de sangue, de jeito que meu pai vem pra cima de minha mãe questionando-a, enquanto mostra a mão e sai rabiscando as coisas com aquelas unhas, o sangue deixa palavras e símbolos pelos moveis, e não demora até que a polícia chegue! Minha irmã e eu entramos em desespero, nossa mãe será presa, no que decretam 90 anos de regime fechado para ela. Eu chego a falar ao meu pai que poderíamos ter evitado, mas então ele fala sobre a nossa culpa, diz que somos cúmplices já que presenciamos e nada fizemos, eu caio em prantos. A seguir me vejo perguntando ao meu pai pela minha mãe, como se eu tivesse esquecido de que ela já não pode estar ali, e me lembro logo em seguida sentindo um vazio. Então o sonho muda um pouco, meus irmãos e eu estamos dentro de um banheiro largo a nos limpar, agora tenho mais que dois irmãos, são muitos, e somos um tipo de seres mágicos similares à elfos, cada qual com sua especificidade no que a minha é mutar realidades. Novamente o sangue aparece no sonho, mas agora ele sai de mim, eu estou menstruando no banheiro enquanto me lavo. A minha irmã lamenta e me pergunta o porquê eu não fiz nada para impedir minha mãe, e eu sem nenhum ressentimento ou culpa agora, mas sorridente e debochada apenas digo que eu poderia mudar a situação, escolher por outra realidade (e isso para mim tem o sentido claro de sonho ali mesmo), uma realidade em que a nossa mãe não é possessiva, muito menos uma assassina, e não teríamos passado por aquela angústia, mas eu prefiro aquela porque de outro jeito a minha mãe não aprenderia o que ela tem para aprender!


 

Esse sonho teria passado batido senão fosse o seguinte. Não é a primeira vez em que dentro de um sonho eu sei que posso acordar dele e ir para outra realidade, no que para mim não tenho consciência dos sonhos enquanto invenções- como quem faz um desenhos de coisas impossíveis, mas enquanto criações e até mesmo coisas que já estão criadas para onde posso correr caso eu não goste daquela que se me apresentou e que são sim possíveis porque existem e não porque eu quero acreditar que existam. Há uma diferença gigante nisso.

É interessante que essas pseudo-percepções de poder mudar as coisas só acontecem em vias de agonia, desespero, desesperança, ódio, medo, uma curiosidade ferrenha em descobrir e examinar algo, mas nada que soe muito espontâneo. Como a linha entre a espontaneidade e o desejo é muito tênue, faz-se necessário um observar meticuloso diante da realidade que se vive e da realidade que se sonha, através de atos do passado para entender o presente prevendo assim um futuro. A pergunta mais importante de todas, creio eu, é essa: Eu realmente escolhi isso? Uma sucessiva de ações que começaram sei lá como, me levaram para este caminho. Mas nem tudo são espinhos, o sonho a seguir do mesmo dia revela que há de fato algo inteligente agindo mesmo dentro de uma mentira. Algo verdadeiro que se aproveita da fraude.

O desejo nunca é espontâneo, ele adquire bens para si, trabalha para isso. Nada lhe é gratuito, nada nunca lhe será gratuito.

Parte II.

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