Infinite: Uma pequena introdução ao infinito!

Na madrugada de 21 de Agosto de 2021 às 03:55, segundo o histórico do Google, eu começava a assistir ao filme Infinite, no que o conclui um tanto surpreendida, não pelo o que viria a descobrir, mas pelas relações que viria a fazer com o que já estudei e o que já deduzi nas minhas investigações. A fome para escrever sobre ele me arrebatou de tal maneira, que não pude resistir, e cá estou, algumas horas depois!

Como tenho aprendido a registrar as datas, às 22:21 do mesmo dia tornei a assistir o filme, ao que me permitiu um melhor desenvolvimento daquilo que eu já vinha esboçando. Como essa é uma interpretação pouco aprofundada, digna somente de um primeiro espanto, é óbvio que eu não estarei resumindo a película, mas iniciando os estudos.

A fé é o argumento dos Infinitos – aqueles que se lembram –  a favor de sustentar o trabalho maquinário da Vida, o que alguns chamariam de Matrix ou mesmo o palácio do Demiurgo. Do outro lado, os Niilistas, termo interessante que escolheram para nomear aqueles que rejeitam as sucessivas reaparições neste cenário existencial, esforçam-se em particular na figura de um único homem, a destruir toda e qualquer molécula de DNA para impedir que suas raízes proliferem pelos campos e possibilitem que a dor tenha meio de acontecer.

Digo dor porque é o conflito principal do antagonista, dor e desordem por não compreender, não à toa, chama por Deus, como uma súplica que se disfarça de desafio. Ele precisa conhecer a Sua Face (פנים) , em outras palavras, ele necessita compreender o porquê ele não pode encontrar a morte, seu aniquilamento; entende a existência corporal como uma prisão, e não consegue mesmo ver qualquer beleza nisso. E poderia? Certamente poderia, senão não haveria o seu oposto, no personagem de Evan e de uma organização milenar cuja insígnia é uma representação direta das Rodas ou Portal das Reencarnações – Regenerações (Shaar HaGilgulim), do paradoxo do Ouroboros, o labirinto do Minotauro, e como já citei anteriormente, os tentáculos do Demiurgo e a virtualidade do mundo na Matrix!

A maioria desses títulos soa negativamente para o público incauto, mas não é para tanto, qual seria a mais plausível maneira de conhecer a Deus senão participando da natureza de sua criação? Creio que, por esse ponto de vista, estar a renascer apesar de que a vida seja quase que totalmente dolorosa e parecer ingrata, não soa como um argumento forte o suficiente para aquele que vive em contemplação, deslumbrado até com a dor, encontrando explicações doces para ela. O Mel que o sagrado deixa expelir de seu corpo será sempre doce, mas amargo no céu da boca daquele que se deixa exagerar. E por isso temos o esquecimento, e aqui o complexo terrível da dualidade.

Mas o que é realmente lembrar, nesse contexto?

Sim, a Fé, é o verdadeiro pilar para toda a problemática que a história desenrola. Mas não a fé impossível de ser compreendida e abarcada pelo canôn exegeta das religiões e igrejas, tampouco a fé dos movimentos berçários de Nova Era que lhe pedem insistentemente para que abras a consciência e enxergues a luz, essa luz que nem eles mesmos sabem explicar, porém, uma outra coisa que eu costumo chamar, pobremente por falta de palavras que a compreendem, de TECNOLOGIA!

A Alma é a tecnologia das tecnologias!

Desbloquear a maior tecnologia de todas, a Alma, essa sim é a verdadeira fé, através do aprendizado sucessivo, a experimentação das existências. Bem aqui, nove casas abaixo de onde o Sagrado, não se esconde, mas manifesta todas as suas potencialidades é que será possível. Evan adentrou esse nível, ele era a própria tecnologia, no que passou a dispensar subterfúgios estrangeiros a seu corpo e pode, então, andar sobre o avião contra a força dos ventos, isso não te parece um milagre? O mesmo tipo de milagre que se ouve falar há mais de dois mil anos!

 

 

Surpreso, o anti-heroí Bathurst/Ted, se vê exclamando “é impossível!”. Obviamente é impossível para ele que mesmo depois de tantas reencarnações com o incrível “privilégio” de lembrar, manteve-se cego e surdo para aprender com todas as suas possibilidades. Entendemos isso claramente, no final do filme quando a alma do protagonista se questiona a si mesma numa pergunta retórica “O que Evan ensinou a mim?”, e em seguida fala justamente das “possibilidades”.

Morte no vazio era o que causaria Ted no seu desespero, morte em plenitude é o que vai alcançar Evan, no que Ted não compreendeu como poderia encontrar o descanso pelo que tanto buscava.

Não são robôs, não é a internet, não é o celular na sua mão, ou hologramas daqui um tempo e carros voadores, tudo isso é apenas o princípio do princípio, é uma impressão muito frágil, um sopro muito remoto da verdadeira tecnologia. Bathurst aproveitou bem dessa sucata criação humana para produzir métodos que reproduzissem as faculdades da existência, armas que prendem em chips de computador a mente-alma dos Infinitos Convertidos, a fim de que não possam reencarnar, e um dispositivo em formato de ovo capaz de consumir todo o DNA sobre a face dos abismos memoriais! Tais equipamentos são uma óbvia contraposição à potência de habilidade real do despertar da Alma e sua ação no mundo, que não cessa de acontecer por mais dormentes que estejamos!

A Existência é um tédio mortal para quem vive à superfície dela. Sendo a fúria (nada além da fúria) direcionada à Deus, ao Universo, às pessoas, à organização do mundo, o único botão de escape para destruir o que não se consegue entender.

 

Parte II

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1 comentário em “Infinite: Uma pequena introdução ao infinito!”

  1. Filme novo para falar de algo antigo, vê que tudo é sempre igual. mesmo no filme, é dito – só muda o cenário, o corpo. no que um sábio Senhor disse : a luz é a mesma ! . também salomao disse isso- As coisas debaixo do sol são sempre as mesmas- e adiante, Sheakspeare – os personagens entram e saem cada um no seu tempo-

    E o que nosso personagem dessa vez, decide nos ensinar ?

    Háas relações disso com os 12 trabalhos de Hércules, ou as 12 tribos, ou os 12 signos, ou as 7 letras duplas ou Sefirots. tal como é nos graus que o adapto deve seguir, em cada grau que ele torna-se, torna-se um mundo novo, onde aquele mundo vai empurra-lo para esse próximo, assim nascendo constantemente para um novo ovo, forma. Por isso Ananque , a personificação do destino ou necessidade, é relacionado ao ovo Órfico( que em si simboliza o céu , a terra e o mar, no que se entende como o pai a mãe e o espirito, ou as letras mães). Esses conhecimento provem do gênese Órfíco, que se encontra no Papiro de Derveni, cuja datação é comumente aceita como o papiro literário Grego mais antigo. Assim como contemporâneos, sem mencionar diretamente o Egito, ordens Pitagóricas , Essenias e etc, nos falam sobre libertar o espirito do que seria um tipo de prisão, a carne. Trazendo essa noção de reencarnação como um caminho. Mesmo os gnósticos falam sobre libertar a alma do ciclo reencarnatório e de uma figura que representava o corpo. Temos algumas outras alusões ao Ovo órfico, por exemplo na figura de Mithras, como sendo criador – Fanes, surgindo do ovo cósmico, rodeado pelos 12 signos do Zodíaco e dando origem ao universo. É interessante que o deus Zurvan , de pé , encima da terra, e não sentado como outrora vemos, seja o tempo, enrolado na serpente, como aquele que não nasceu o andrógeno , detentor da serpente e do ovo. Aquele que nos limita, o tempo – saturno-binah. de onde vem toda a forma nascida e todo limite, a natureza do mal é o limite do nosso entendimento. enfim…
    O Anti-herói queria cortar a rota, o que me parece bastante razoável às vezes, essa, na verdade é uma busca antiga dos magos negros, no que eles querem escapar do ciclo sem cumpri-lo, alguns conseguem evitar de fato, por algum tempo…. e diz-se que alguns conseguiram, mas nem queira saber como.

    Um detalhe interessante do filme é que o Anti-herói, sofria até mesmo no Útero, parece que Deus, negou-lhe o paraíso. Seja no sentido de ser o todo e não algo separado…. ou no sentido de esquecimento, pois até isso, Deus nos deu. Pois nos se lembrassemos todos de nossas vidas passadas, enquanto vivos, sofreriamos pelo nossos erros anteriores, além de que nossos antigos inimigos tbm se lembrariam de nós. é uma questão que o filme deixa….

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