O Aleph e o Lamassu: uma conexão mais do que histórica

Apenas para esclarecimento: faço essa comparação apenas por questão de insight, não tenho qualquer objetivo de ferir qualquer que seja a crença, mesmo porque não faz parte do meu entendimento acreditar que o profano é algo que mancha o divino, não há realmente nada de negativo no mundo que não exista para alavancar o bom, o belo.

Há uma similaridade tremenda não só de forma, mas também de conceito em volto do Aleph, primeira letra do alfabeto hebraico, e da figura mitológica do Lamassu. Até mesmo o seu surgimento encabeça o aparecimento, e por que não dizer, a criação das outras coisas, vide a divindade Lamu (outro nome para Lamassu), primogênito de Apsu e Tiamat, duas figuras centrais nas mitologias suméria, acádia e babilônica.

O Lamassu tem corpo de touro, asas de águia, as vezes pés de leão, e cabeça de homem representando respectivamente a força instintiva, a liberdade do espírito, o poder e a inteligência, atributos e representatividade também de Aleph, que sendo uma das letras que gera todo o alfabeto ( את ), é o Kether primordial, a que dá abertura à criação; bem como o Lamassu protege as entradas das cidades e palácios importantes, essa letra é também um sinônimo do homem que agrupa em seu ser as quatro potencialidades, fogo, água, ar, terra.

Por outras ele tem cinco patas em vez de quatro, uma alegoria, possivelmente, ao quinto elemento.

O homem é o enigma da esfinge de Gizé, e a própria esfinge é o enigma homem.

A letra Aleph é a representação virtualizada de um boi, ou mesmo um touro, historicamente isso é bastante compreensível uma vez que os povos do fim do Neolítico começaram a domar animais selvagens e dentre eles, o bovino, tornou-se o instrumento doméstico mais determinante à tarefa diária não somente na lavra, mas na sua alimentação direta e no comércio, como a produção de leite e couro, e a seguir os instrumentos utilizados nesse trabalho tornaram-se importantes ao nível de serem linguagem cultural no desenrolar da sociedade. Mas isso é até onde a história oficial conta.

Como um elemento forte e estritamente importante na sobrevivência e adaptação humana, o touro, ou o boi (bovinos taurinos), logo tornou-se também uma figura para metaforizar o mundo espiritual, e ele daria forma às ideias metafísicas a respeito das figuras de Deus, deuses e governantes. Bem como vemos que o sagrado se faz em Aleph, também Aleph é sagrado, tendo o homem a imagem e as virtudes de Deus (Elohim).

Em Bereshit/Gênesis 49:24 as palavras אביר  יעקב referem-se ao Protetor forte de Jacob, ou mais comumente traduzido como o Poderoso de Jacob, e ainda mais raramente em algumas outras assimilações como o Touro de Jacob, repetindo-se ainda em Isaías 1:24, 49:26 e 60:16, e Salmos 132:2-5; sendo esse um dos títulos-nomes do Deus israelita.

Uma interpretação um pouco mais aprofundada do Aleph, no entanto, nos revela sua gematria de valor 26, o mesmo valor para o tetragrama do Eterno, o que nos prova mais que uma proximidade, mas a própria relação entre a palavra, a letra e o próprio Sagrado, o Kether que se derrama (e que é diferente da denominação Deus). É formado, então, de dois Yod (10+10), que seria o ponto inicial, por onde toda letra-realidade começa e, também o indistinguível Ain Soph, e um Vav (6) transversal, símbolo íntimo do homem, onde a conexão das árvores se realiza. Para além de ter o significado de mestre, e ensinar. O que conduz, o que guia, consequentemente o que protege.

Há alguma coisa de velocidade na forma Aleph que me seduz. Só o espírito é veloz assim.

Algumas visões fazem relação entre os Keruvim (querubins) e os Shedu/Lamassu, igualmente postos no encargo de guardar alguma coisa, ferozes sobre a tampa da Arca da Aliança e mesmo cercando o Gan Eden.

O simbolismo dessa esfinge está presente em verso do Tanakh (Septuaginta, Vulgata, Bíblia), no episódio da visão de Ezequiel, onde os quatro seres viventes formam a carruagem do divino. Mais uma vez podemos correlacionar o sentido de veículo, transporte à imagem do touro alado. Mas é óbvio que tudo isso não passa de uma interpretação ainda superficial, e seria mesmo necessário mergulhar nas palavras, em cada letra e nos parágrafos em questão para obter um entendimento mais amplo.

O mestre aparece na carta V – O Hierofante do baralho de Crowley, com o mesmo significado essencial; o mestre é o condutor do conhecimento – mesmo que isso leve ao precipício.

 

Como tudo o que chega aos nossos sentidos é forma que tratamos de transmutar em ação, não parece haver muito de verdade (Emet) em manter-se intimidado com essas correlações, uma vez que o panenteísmo e o panteísmo se complementam: o sagrado está em tudo e é tudo. Eu vou por este caminho.

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1 comentário em “O Aleph e o Lamassu: uma conexão mais do que histórica”

  1. logo que consideramos que algo esta para o bem ou para o mal, criamos a guerra. A guerra sempre é o resultado dos lados opostos, que querem consumir-se e aniquilarem-se, é o que chamamos de Eros, em que tudo uni e tudo separa, numa dança cósmica entre o bem e o mal. Ambos os lados, brigam na tentativa se serem algo além dos lados, se tornarem algo anterior a eles mesmos. Uma breve reconstituição, da imagem e semelhança, seria interessante, aqueles que entendem da formação dos mundos, vão entender a relação disso, com o que descreverei.

    No surgimento do Ego, na separação, logo que nasce o bebê, que anteriormente estava uno com sua mãe, após ter sido fecundada pelo seu pai e gerado no ventre da noite… O recém nascido, sai desse paraíso chamado dissolução e, entra através da dor, no mundo , nasce , se separa. quebra o ovo, quebra o mundo !
    Nesse momento cria-se a separação, o Eu, não somos o todo, precisamos do que esta fora de nós, tudo que precisamos agora, esta fora, não somos mais aquilo que nos rodeia, muito menos aquilo que nos da conforto, prazer, dissolução.
    Ao consumir o leite materno, o êxtase, do Eu com o objeto – o que esta fora e precisamos consumir, é como um contrato assinado e naquele momento o ser, torna-se o que está fora dele de novo, e entende ser o todo, como no mito platônico do Demiurgo, em que ele, pensando ser Deus, se nomeia o único Deus e então cria, mas cria separado, portanto quer consumir o outro lado, pois aquilo criado é imperfeito, então procura a perfeição de si mesmo através da separação e da união, solve et coagula. Numa busca eterna, por se tornar de novo, algo anterior a ele mesmo, tendo ou não senciente disso.

    Quem atacaria o inocênte ? Ou gostaria de saber que sua guerra é injusta ? Por acaso o simbolo da ovelha branca segurando uma bandeira, não foi o mais atróz ? Muito mais do que simbolos que mostravam suas intenções….
    Pois todos querem sentir-se inocêntes- ainda mais com tantos ”pecados” sendo atirados nas suas caras- querem sentir que fazem justiça. Se colocarmos um véu, nesse caso, a inocência, ou algo para que busquem por ela, podemos fazer com que homens, façam o que não é de suas naturezas, mas que por meandros da ilusão, toda essa castidade cheia de vontade e sonhos eróticos, e massacres no nome do bem, ou mesmo divisões de coisas belas, mas que foram tocadas e corrompidas em nome do bem, tornem-se inocente. Vede que o bem, é um artifício ? Não há bem, que não o seu.

    Quanto aos símbolos, a virtualização da coisa ou o animismo – como a alma percebe qualquer coisa, seja uma planta ou o fogo, mas que somente dentro dela pode ser percebida. Podemos notar muito do animismo , através de mitos, contos, símbolos, abstrações, formas, toda criação. A o que chamamos de alma de raça, que por exemplo, daria o sentido do chacal , como Anúbis ou do escaravelho, como uma entidade sagrada para aquele povo, pois ali naquele Tempo e Lugar, era a reencarnação pura do aspecto Solar, contudo naquela época ainda, havia a ilusão de que o Sol, nasce, percorre os céus e morre, assim então o mitos Solares do deus que morre e renasce, devem ser ultrapassados, por que na verdade a terra dança ao redor do Sol, portanto as reencarnações de Osíris, chamam-se reencarnações de um Deus negro, ou deus da ilusão, existe a busca pelo Sol dos dois horizontes, onde não há mais bem ou mal, enfim. Também há o que entendemos como inconsciente coletivo e que por sua vez prevê que a experiência humana-assim como disse Salomão : “não há nada novo debaixo do Sol”- é similar e por causa dessa caráter, há virtualizações de imagens e simbolos, comuns a todos nós. Como por exemplo, o que significa a terra, mitos relacionados a ela e etc. Ou um pouco mais aprofundado, o mito do parricidio cometido por Saturno…
    há também o inconsciênte individual, que resumidamente , travestiria o inconsciente coletivo, através da sua experiÊncia e significação do mundo.
    há também o que no gnosticismo chama-se arquétipos, o que seria anterior a tudo isso que é manifestado, mas é muita coisa pra um comentário só…

    Tudo isso para dar uma introdução da chamada visão de Ezequiel, das Kerubs, das letras Mâes, dos elementos, da astrologia, e do YOD HE VAV HE – o senhor dos 4 elementos. A tradução do nome para o verbo Ser/Estar, o que estária acima do tempo, mas que somente poderia ser manifestado de forma temporal, da o mesmo sentido em que o espirito, ganha corpo. E o corpo, é feitos dos elementos, planetas,signos. Tudo que existe é forma, e o que não existe é espirito. o que existe está regido pelo tempo , e o que não existe , está além dele, contudo toma forma nela, assim ocorre o corte,separação.
    ou de Yeshua , um título dado aquele que dominou os 4 elementos e então adquiriu o “fogo do espirito” YOD HE -SHIN- VAV HE…..

    YHVH = (10+5+6+5) 26
    10 + 15 + 21 + 26 = 72 – todos mundos manifestados

    podemos ver a mesma relação nas escolas pitagóricas , onde retratavam o mesmo mistério através do pentagrama.
    as Kerubs, são reencarnações anímicas puras desses elementos , agua-terra-fogo-ar, assim sendo, são os alicerces de todo mundo criado.

    no antigo zodiaco, quando o sol estava no signo de touro, iniciava-se o verão, por isso o touro é morto no inicio, ou como mostrado em Aleph, colocam uma ‘canga’, para conter sua força. pois após o solstício de verão , como vemos em diversos mitos como cornudos, Cristo,Osirís, Sol invictos, ou Mithras, após o verão, temos o decair e a morte do Sol no inverno. e nisso, o decorrer dele por todo o zodíaco. Dando origem a todos planetas e signos.

    A carta do Hierofante, tem o Vav como alusão ao corpo e aos 9 ‘pregos’, sendo o nove, o numero do Homem Superior. Além disso ele possui o signo de Touro, por causa das características que o signo de Touro tem, com relação a Vênus e as Paixões mundanas, aos prazeres do corpo. O Hierofante, usa uma Mitra Fálica, onde ele toca a Flor de 5 pétalas. Em resumo, o símbolo todo fala de iniciação, o bebê dançando dentro do pentagrama invertido é o puro prazer, como o id formado na psique, que apenas grita seu querer, o símbolo do hexagrama, é esse prazer, tornado em dança, reconduzida através dos corpos, nos planetas e dos signos, da arvore, dos reinos. Das restrições. A ponta do hexagrama, que simboliza o Sol, junto com a Mitra do sacerdote Solar, penetra a Flor, a noite , onde uma cobra dos desejos rasteja ao redor do ventre, sendo a paixão desregrada, mas que por causa dos 9 pregos, é reconduzida conforme a Vontade. Sendo assim, o homem, deve através do prazer e domínio de sua energia Sexual, adentrar o mistério da noite.

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