Infinite: O Purgatório Virtual da Humanidade

No enredo, o filme Infinite não deixa muito claro, ao menos para mim, o que seria a entidade Alma que encarna habitando corpos diferentes e como esse processo se dá, no que achei mais coerente chamar isso de mente-alma, uma vez que o filme faz uma correlação com a Consciência, mas tende a ter um sentido mais místico e fugaz no que diz respeito a adentrar nos mecanismos que movem sua narrativa.

Uma parte dos Infinitos – aqueles que se lembram – 200 deles, estão com suas mentes-almas (Nefesh) aprisionadas em um disco de computador, no que são interpretados como mortos, embora propriamente não deixaram de existir. Permanecem em algum local obscuro de entendimento chamado Purgatório Digital. E isso é muito importante!

A captura acontece através do disparo de uma arma identificada como Dethroner (destronar, derrubar do trono, abater), nome bastante intimidador! O projétil perfura a cabeça e “move a consciência, a alma” para um chip digital, a alma então, permanece presa num disco, o que interrompe o ciclo de reencarnação. A solução que a trama apresenta para esses personagens é a destruição dos chips, uma destruição bastante literal e um tanto dramática.

A tecnologia apresentada no filme se parece em muito com o que a ciência já vem elaborando pelo menos na teoria, só que com um objetivo oposto, a eternidade. A mente, então, que talvez se entenda como alma (Nefesh) seria transferida, como se transfere, hoje em dia, um arquivo por bluetooth, ou se faz um upload, a famosa nuvem que não derrama uma só gota, mas se alimenta a cada milésimo de centésimo.

Como poderíamos, então, relacionar, essas duas situações?

Esse purgatório digital é o mesmo do filme e animações Matrix, mais conhecido pelo público jovem, mas que não é o único que aborda a problemática magistralmente; Experiments Lain “alertou” para isso já lá em 1998 de uma forma mais próxima do nosso fatídico cotidiano.

A evolução da inteligência da máquina é algo inevitável, posto que já está a se suceder, e tendo o homem menosprezado o seu próprio corpo, a ele parece mais agradável o que a Internet proporciona, um mundo onde tudo é possível, e a única barreira é a lei, mas só porque ainda somos uma sociedade biológica (será?). Até certo ponto, porque a única e verdadeira constante no Universo, É mesmo A Lei (embora os distraídos cumpram o seu papel de distraídos).

Também é possível observar situação semelhante no filme O Congresso Futurista, em que a maioria das pessoas deixa sua suposta vida real com o auxílio de alucinógenos para tornarem-se personagens (literalmente) animadas: desenhos, um mundo com sabor psicodélico. O incrível universo dos sonhos, onde super-heróis, vilões e até criaturas mitológicas passam a existir! Isso realmente não é uma história nova.

Sem poder reencarnar, eu diria, que esses Infinitos são também uma metáfora para algum castigo divino ou mesmo uma consequência, em que os filhos permanecem apartados (Caret כרת) do Pai – a luz de Kether (כתר). Observe as letras que constroem as duas palavras. Foi mesmo disso que me lembrei e recorri ao Shaar HaGilgulim a quando da explicação da reencarnação de um justo e de um perverso utilizando Jó 33:29, Amós 2:6, Êxodo 20:5-6; sobre isso é dito – Parte 4, introdução 4, tradução Rabino Joseph Saltoun:

As “quatro gerações” se referem aos perversos, como está dito “Cobra a iniquidade dos pais…, aos que Me aborrecem.” Em contraste a isso, a quem Ele “faz misericórdia até duas mil gerações”? O mesmo versículo responde: “aos que Me amam e aos que guardam Meus preceitos”. A explicação, então, é a seguinte: Saiba, que quando a Nefesh de uma pessoa vem ao mundo pela primeira vez e peca, se tornando maculada e forçada a reencarnar em outro corpo para poder se corrigir, essa é considerada sua primeira reencarnação. Se ela não se corrigiu, ela retorna em uma segunda reencarnação. Se também não for corrigida ali, volta em uma terceira reencarnação; mas daí em diante ela não consegue atingir sua correção por meio da reencarnação novamente. Sobre ela se diz “essa Nefesh será cortada de seu povo completamente.” No entanto, isso se dá somente quando uma pessoa falhou em cumprir qualquer correção ao longo das três primeiras encarnações. (…) Sendo assim, aquele que não atinge nível algum de correção é chamado de “perverso”, mas aquele que corrige mesmo um pouco é chamado de “justo”. Todas suas encarnações subsequentes vão completar o processo de correção. Eu acredito, na minha humilde opinião, ter ouvido do meu mestre, de abençoada memória, que isso tudo só vale para a Nefesh, já que ela é do mundo de Asiah, que é imerso nas Klipot.  É por isso que está excisão (Caret) é mencionada somente com relação à Nefesh, porque só ela pode ser ‘cortada’ da santidade e ficar imersa e afundada nas Klipot. No entanto, as Klipot não têm todo esse poder sobre o Ruach e a Neshamah, que são de Yetzirah e de Briah. Portanto, uma pessoa consegue corrigir estas partes sem maiores problemas (…)

Aprisionados em “corpos” cuja configuração não lhes permite acessar as habilidades próprias da sua alma, a personagem Nora revela o resultado ao cogitar não conseguir libertá-los daqueles chips-ilusões-cascas “é como tirar o computador da tomada”: mais similar que Matrix, é difícil. Como nas pedras encarnam, pedras sentem, mas pedras não são (vide apócrifo Primeiro Livro de Enoque 10:6-8).

Tudo isso parece desvelar o mundo no qual existimos, o que serviria também como uma alusão muito clara ao Adam Belial – os véus psicológicos nos quais idealizamos ser alguma coisa. Mas há uma esperança para nós. O filme deixa claro, que mesmo considerados mortos, eles retornaram. Atente que o processo de reencarnar é extremamente necessário para a regeneração do corpo do Adam, no que o livro de Chayim Vital – Isaac Luria, é um belíssimo Manual da Restauração, e essa deveria ser a expressão mais coerente para as sucessivas carruagens nas quais as almas, sendo a Nefesh a mais primitiva delas, viajam, a desdobrarem-se pelo tempo.

Células que estão em constante trabalho de regeneração para manter o corpo vivo (Nephesh Chayyah).

 

Parte III

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1 comentário em “Infinite: O Purgatório Virtual da Humanidade”

  1. Consciência e no quanto ela foge do natural do mundo animalia, uma fruta nunca pensou como seria cair do pé, mas endureceu e formou-se uma casca nela ! ou o galo, não pensa no que é o Sol, mas tem sabedoria dada por D’us, para saber quando o Sol nasce e quem pode dizer que ele não sabe o que é o Sol ? Penso no que seria a consciência, não é algo natural …. E quanto ela nos tira de energia,e quanto nos tira de nossa transparência nas ações, quanto nos faz sublimar as vontades, pensamentos que nunca cessam, angustias… basta pensar para começar a ser atormentado, não é ? Os yoguis treinam a vida inteira para alcançar o Samadhi, o sem personalidade, sem prazer e nem desprazer. Como é viver sem personagens, sem forma ? sem pensamento ? Por quê, por exemplo os lutadores refazem as ações até que sejam reflexos, e então seja natural.. ou por que as ações como os batimentos cardiacos ou os movimentos peristalticos, ações do nosso sistema parassimpático, são perfeitas e inconsciêntes ? as melhores jogadas, são as que não pensamos, disse um jogador de kinuca, pois se joga-se firme sem ansia de acertar . muitos treinam o domonío de tais coisas, como os batimentos, alguns dizem que isso gera doenças outros não, enfim.. Tornar a nossa escuridão consciênte é o trabalho do Homem de letras. Pois a escuridão inconsciênte é perfeita em si mesma, e age para si mesma. Pensando em genes, 98% do nosso DNA é idêntico aos dos nossos parentes primatas, então seria esses 2% a origem da consciência ? também é interessante que, como é descrito nos textos, todo ser nasce com Nefesh e Ruach, corpo e espirito.
    assim foi que Deus como um artesão, arquiteto, soprou-nos. E nos deu forma, tal como faz-se um Vaso de vidro.
    Logo no príncipio há então, a alma divina ou superior e a alma animal, corpórea. As necessidades do corpo e as necessidades do espírito.
    A alma em muitos aspectos é o resultado do corpo e da mente, à Luz da experiencia e portanto individual. há ainda outros níveis de Alma, mas que não são Eu e sim Ideia.
    Mesmo que uma criança, nasça com todo o corpo perfeito, se ela não entrar em contato com a luz, na primeira semana de vida, ficará cega para sempre, assim tbm seria se fosse relacionado ao som, ou ao cheiro ou a qualquer que seja o plexo.
    também após esses contatos ela ficará em alguns conceitos bem mais adentrados, resumidamente, viciada.
    Será que não é isso que se fala, em alguma instância, quando citado no texto o castigo ? quando aos infinitos, aqueles que se lembram, são alusões as pessoas que conquistaram a terceira alma- Neshamá, o Eu verdadeiro, a própria verdade,acima de Binah, a não forma da sua ideia, sua estrela. Essa mesma é conquistada através da luta entre a Nefesh e a Ruach, luta que acontece para trazer a tona a Neshamá verdadeira. Vede que toda angustia é a busca pela própria verdade, jamais haverá outra que não a sua. Guilgul tem a mesma raiz de galgal, que significa Roda, tem o valor numérico 72, o numero de anjos ou partes da criação. Penso no que seria aquele aprisionamento num chip, foram aprisionadas as Neshamá dentro de Nefesh imprópria, como mencionado no texto…Dentro de um corpo incapaz.

    Em experiment Lain, é mostrado como o mundo existe, através de uma rede neural, alguns já pensaram nela como incosnciente coletivo, contudo na série é demonstrado de maneira mais ciêntifica, falando da ressonancia Shuman, da radiofrequência, do efeito da refração, e dos protocolos de transmição da dados, como o ultimate protocol, vendo que uma atualização do mesmo, resultaria numa quebra na barreira entre os mundos virtuais e ”fisicos”. Vivemos no mundo do Elétron, a era Digital.

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