Segundo Ato: A Ressurreição dos Mortos. Reproduções virtualizadas do Ser

“Lázaro, venha para fora!” assim bradou Jesus ao realizar o milagre da ressurreição. Há alguns poucos anos isso só seria viável ao entendimento dos fiéis e dos crentes, mas com a evolução da ciência por meio da tecnologia, deixou de ser apenas uma mística esperança para se tornar, de fato, uma possibilidade medicinal.

O imaginário popular logo tomou conta do assunto misturando com ele seus breves conhecimentos científicos, e então os cinemas ganharam temas a respeito através da ficção-científica, que embora, derive também de alguma base mística ainda é embasada cientificamente, de modo que a ciência tornou-se o novo milagre, ou melhor ainda, um novo Messias mais plausivelmente bem vestido para os fiéis, e uma explicação messiânica para os ateus, de modo que enxergando o milagre como pura ciência não podem nega-lo porque ele fornece provas.

A imensa demanda do cinema acaba impulsionando a evolução da tecnologia, primeiro para as telas e não muito tardar para o cotidiano de cada um de nós, isso porque geralmente as coisas existem como divertimento e só depois elas se tornam essenciais no dia-a-dia; parece um caminho duplo que precisa realmente ser assim, uma coisa acontecendo ao lado da outra porque o tempo pede que seja, e o tempo está constantemente apontando para a evolução e quiçá a revolução da inteligência artificial.

De todas as possibilidades para a ressurreição dos diversos Lázaros do nosso novo mundo, uma delas chama mais a atenção justamente por chegar por meio do divertimento/entretenimento: a recriação anatômica e psicológica de pessoas para viverem personagens em filmes de diversos gêneros, até agora mais especificamente na ficção cientifica. Seja lá quais forem os motivos, se é porque o ator está morto, como aconteceu no caso de Carrie Fisher na continuação da série de Star Wars, no episódio A Ascensão Skywalker (2019), em que realizou participação póstuma, com cenas montadas e a imagem parcialmente recriada com efeitos de CGI.

O trabalho com Carrie Fisher já havia acontecido antes em Rogue One (2016), onde a personagem apareceu jovem. Star Wars está cheio desses casos, como também foi com Peter Cushing, revivendo o personagem Grand Moff Tarkin, 22 anos depois de sua morte. Achou isso bizarro?  Você realmente não percebeu nada!

Mas, a lista de atores e atrizes é grande, dentre eles Paul Walker para Velozes e Furiosos 7, Bruce Lee para uma propaganda de Uísque (Johnnie Walker), e até a princesinha das comédias românticas das décadas 50-60 Audrey Hepburn para um comercial de chocolate.

Audrey Hepburn em um comercial de chocolate

Para fins também de rejuvenescimento, como se pretende realizar com a atriz protagonista de Alien,  Sigourney Weaver, a dar prosseguimento a franquia, e mesmo como no filme Projeto Gemini em que o ator Will Smith foi completamente digitalizado e modificado para contracenar consigo mesmo mais velho – porque o grande protagonista do filme sempre será a criatura e não o seu criador, todas as expectativas desse filme estiveram sobre o personagem fictício, ou real, não dá para diferenciar, elaborado a partir do experiente Will Smith.

O tema do filme em questão, no entanto, não é apenas fictício e dentro somente da reconstrução de personagens-pessoas para o mundo virtual, mas também para o mundo real-físico, a grande evolução que o Projeto Gemini trouxe para o cinema, também reverbera do lado de fora dele,

é uma profecia cercada de provas de que Lázaro não só ressuscitou como nunca antes precisou morrer;

O que anula o milagre tolerável e o transforma em ciência abominável! Paradoxal e controverso, mas é como a situação está a se desenrolar. Agora temos algumas respostas sobre como manter o homem vivo e sobre o quanto o mundo digital é tão real ou mais que sentar na mesinha da padaria e saborear um delicioso pedaço de bolo, de chocolate, talvez, assim como a Audrey Hepburn dos anos 2000.

A Ciência é sedutora, mas nós nos permitimos seduzir. Réplicas que anseiam prazer. O instinto agressivo da resistência!

Fiquemos com essa maravilhosa aberração disfarçada de tecnologia!

O Frankenstein – Prometeu Moderno- do nosso próximo tão presente futuro…

O que a vida realmente significa? E o que viver realmente quer dizer? Isso somente o Lázaro pode revelar, aquele que conheceu a morte ou aquele que não faz ideia do que ela seja?

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1 comentário em “Segundo Ato: A Ressurreição dos Mortos. Reproduções virtualizadas do Ser”

  1. Pensamos em como prolongar a vida, desde que nossa espectativa da mesma era 30 anos, e que homem que sabendo da morte, não pensou em como vence-la ? mas como dizem, a morte sempre vence. Diz-se que o homem é o unico animal que tem consciência da sua morte, é uma condenação comum, como lembrança de que todos estamos sob as mesmas leis. Portanto nada mais humano que sabendo da morte, querer se tornar eterno. Penso no por que os heróis fazem tanto sucesso, talvez queiramos vencer a gravidade. Também por causa disso, o homem sonhou em voar, tal que num dia conseguiu mesmo, antes o homem fantasia e depois o homem faz. Também é assim com as crianças, que primeiro brincam de boneca, brincam com carros, brincam de ser pai e de ser mãe,de serem médicos , o que essas coisas significam para elas ? mas que pureza, elas simplesmente tem o que querem.
    Dessa mesma, talvez um pouco mais madura maneira, o homem sonhou em voar e depois de muito esforço, voou de fato !
    Mas de onde vêm esses mitos e esses contos e essas histórias, a final, haviam deuses que voavam,que controlavam o tempo, também houve heróis que faziam o mesmo, e quando o homem, fará assim ? É uma constante… mas a questão é saber se nós imitamos-os ou eles nos imitam?…

    quando pensamos nisso e nos atores sendo revividos virtualmente, sendo rejuvenecidos, é um ensaio para algo além…
    hoje, imaginando a quantidade de dados que são armazenados sobre nós, e que mesmo que excluamos, estão ainda guardados em gigantescos bancos de dados, fisicos e virtuais, não vejo como não poderiamos ser revividos, recriados, refeitos. virtualmente, ou não. Esta escrito que os mortos voltarão a vida, isso faz sentido agora.

    Sem dúvida alguma, o homem vai vencer a morte, assim como o homem conseguiu voar. Sem dúvida alguma, toda fantasia é teatro para o ato, então torna-se realidade, o que parece impossivel , é apenas algo que falta descobrir para torna-lo real. toda ideia é fantásia, toda coisa no mundo é filha dela, e depende do Pai, para dar-lhe a forma que vai agir. nenhuma ideia é boa e nem má, mas das teorias de Einstein, tbm se fez a bomba atomica. E do avião, jogaram-na.

    No filme Gemini, o garoto, quem matar aquele que é o seu predecessor, por acaso, assim era o rito de passagem dele. Não podem existir dois Deuses. Uma maneira de perceber, não vejo somente assim, porem uma maneira de pereber é que um dia o homem vai criar tudo que imaginou e tudo que ele imaginou existe, só basta que ele conceda-lhe a vida, se já não vive aquilo de alguma maneira…Eis aqui mais algo a se pensar…

    Frankstein, eu ainda não li esse livro. mas diz-se triste. o criador dele, prometeu-lhe uma Mulher, no que ele nunca cumpriu sua promessa e essa criatura vagou solitátaria e um dia matou seu criador. Logo que obteve consciência, perguntava-se o que era,sentia solidão. Acho qu escrevi em algum lugar, primeiro o homem escrevia na pedra, hoje escreve na Nuvem. Como alusão ou não, a primeira noção do objeto fogo que a humanidade teve, foi através de um raio, dessa mesma forma Frankstein foi cencebido de um Raio. Tão ou mais forte para a humanidade que o surgimento do fogo, é o surgimento da I.A. Através dela, o homem fará tanto quanto fez com o fogo. dominio do fogo – homo sapien sapien, dominio do eletron(eletricidade) homo electron, I.A.

    Frankstein se pergunta, o que eu sou.
    Seu Pai lhe via como um monstro, e então ele contracenou se vendo assim. no que ele queria ser um homem, mas não teve com quem vivenciar. é um conceito interessante, a atuação.

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