A linguagem da Forma e a forma da Linguagem: Visão a partir da Torah

Parte II:
Desde que comecei a estudar o hebraico e tomei algum conhecimento básico das letras, venho adquirindo conhecimento sobre palavras, um mundo diferente se abre para mim, agora eu enxergo palavras dentro de outras palavras e palavras dentro de letras e números dentro de letras e palavras. De modo que superficialmente um palavra diz algo, mas as palavras, letras e números dentro dessa palavra falam de muitas outras coisas.
Comecei a pensar que alguém que saiba 100% ou 99,9% do hebraico, enxergaria dezenas de dezenas de centenas de coisas como as poucas que enxergo na presente precariedade do meu saber.
Mas… Levando em conta que há pessoas que realmente sabem hebraico e inclusive falam hebraico, me pergunto se essas pessoas vêem como eu vejo e se elas vêem, por que elas não são como Moshe Rabeinu e os Sábios do Antigo, por exemplo?
Aqueles rabis que escreveram comentários… como o Zohar e o Livro da Formação e outros mais. Por que?
Se, como dizem, o hebraico é a língua dos “anjos” e a língua da criação, não parece muito lógico que o hebraico que conhecemos seja o original, mas um Bê-A-Bá básico para nós, almas terrestres e de outros planetas, isso porque as letras são representações ou encarnações de tudo o que conhecemos no nosso mundo físico, como estrelas, animais, como a água, como a meia no seu pé, o amor, a humildade, a compreensão, a dor e etc.
Sinto como se nos ensinassem assim como se ensina uma criança na creche, usando um vocabulário mais apropriado ao seu entendimento. Assim que só serve para nós humanos terrestres ou de outros planetas, essa letras nesse formato, porque um Ser que não precise de um boi puxando um arado, não tem necessidade primária de uma letra que encarne essa ideia no literal/mental/espiritual (mais para alma). Também para outras culturas orientais o alfabeto é crucial no entendimento da Criação, vide os Indianos e os Japoneses, veja até a antiga cultura Mesopotâmica-Assíria-Egípcia-Suméria…
Para todos o Alfabeto era a encarnação da história do Homem e por isso as letras são sagradas. Somente aqui no Ocidente é que elas foram desvirtualizadas, de jeito que, nenhuma vogal ou consoante tem qualquer valor santo, são meros meios de comunicação que apenas à Linguagem/Linguística servem como objeto de estudo…
Se pegares, por exemplo, o Shaar HaGilgulim, que foi o que comecei a estudar, verás que, embora ele se pretenda esclarecer a Torah, na verdade, ele próprio contém esse mesmo mistério das palavras dentro de palavras e palavras dentro de letras e números dentro de letras e palavras, e isso porque, creio eu, tal idioma, hebraico e aramaico, são vivos; quando você os utiliza, inevitavelmente está “criando/elaborando/trazendo para fora e para dentro” segredos dentro de segredos, embora pretenda esclarecer ao leitor/ouvinte.
Como Moshe Rabeinu e como os rabis sabiam ler o aramaico/hebraico, então enquanto o falavam, O Mistério era Vivo em suas bocas. Qualquer frase que lançassem para explicar um verso que fosse da Torah, ali mesmo de suas bocas estariam saindo dezenas de outros mistérios, uma vez que várias palavras se guardam dentro de uma e uma se guarda dentro de milhares de outras. Percebe como é complicado e simples?
O Mistério está em ti e por meio de ti ele se movimenta constantemente!
Para Moshe foi cristalino decodificar o Livro que recebeu dos Malakim/Elohim, porque uma vez aprendida a Linguagem e tendo domínio de seus labirintos (isso é bastante necessário, pois os códigos e a Linguagem são como serpentes sinuosas que envolvem aquele que não sabe se locomover por entre elas, é pego pelo seu veneno e já nada pode distinguir a não ser cair em um eterno sono que é o mesmo daquele que fala, mas não ouve o que fala, pronuncia, mas não reconhece o que disse), então basta que botes o olho ou os ouvidos e nada te ficará oculto. Como andar de bicicleta, uma vez aprendido, nada te ficará oculto e esquecido.
Se você sabe que a palavra transferida posteriormente do latim “arca” tem variantes como arcada, arquitetura, arcaísmo, arcaico, arco, arqueologia e etc, então você conhece a raiz da palavra e sabe que todas essas daí são derivações de algo que no passado não tão longínquo remetia diretamente ao significado literal e não literal de “antigo”, isso porque eu não fui mais atrás e não averiguei letra por letra e de onde partiu essa raiz “ark” e onde primeiro no mundo ela foi elaborada.
Você consegue compreender meu raciocínio? Uma vez sabendo disso, nada te é oculto porque as palavras são Vivas, mesmo que de um idioma para outro elas pareçam não se conectar, mas a verdade é que todas estão voltadas para o mundo que o Homem conhece e se bem investigadas todas tem correlação íntima em todas as tribos do mundo, sejam os europeus, os americanos e seu inglês ou mesmo o dos britânicos, os índios brasileiros, colombianos… Os árabes, japoneses, e por aí vai… Eu fico emocionada de falar, pelas palavras o Sagrado me faz perceber todos os dias o quanto Ele É sempre maior do que eu pensei no dia anterior.
Acredito, pelas minhas análises, que a Torah que Moshe conquistou é diferente da que ele deu ao povo. Penso que ele usou somente a parte que as crianças humanas precisariam até certo estágio, e a parte que cabe aos outros seres de Deus está reservada a quem nesta trilha tempestuosa consegue por Amor/Vontade alcança-Lo.
No tempo AC e pouco depois DC, pelo o que a História diz, as pessoas não eram muito letradas, somente nas sinagogas os sábios davam uma porção da Torah, mas pense, talvez eles enfrentassem aquele Paradoxo que a Linguagem e a Psicologia nos fizeram ver. Um povo está sempre restrito à língua ou às línguas que compreende, consulte Lacan para melhor entendimento disso.
De jeito que eu, usando português, não poderia entender parte do mundo (não somente o meu) sem mesclar o meu português com outras línguas e efetuar um estudo mais aprofundado da origem da fala e dos meios de comunicação, indo bem longe no tempo, lá quando os pré-humanos começaram a desenhar em cavernas. Mas tal trabalho é imenso, eu tenho amor por ele, mas até eu sei que é tão grande que precisaria de mil de mim para não me perder numa só palavra.
Nós, humanos em algum estágio do presente, já que passado e futuro são ilusões da nossa realidade, estando agrupados no Adam Primordial , criamos a Torah-Tanakh (A Linguagem, aqui identifico-a com a Torah para não tornar mais longa ainda a explicação, mas cabe a toda e qualquer código de comunicação mundial), para que as crianças de nós mesmos, Adam Ha-Rishon (descententes), entendessem segundo o nosso mundo. Ainda assim está contido todo neste livrinho mágico infantil a Essência do El – Yod He Vav He-, porque Ele quer que nos encontramos, mas Ele é o maior linguista-psicologo-biólogo de todas as Vidas/Existências/Mundos e a própria Paciência e Sabedoria para Saber que, primeiro se vai aos pouquinhos e depois acrescentando até que o Espírito jovenzinho esteja ciente de sua realidade para desbravar consciente dos percalços e trilhas.
Isso é um método tão comum de Pedagogia! Que até me espanta que seja tão óbvio… vê como Deus (Ou o Cosmos, como preferir) está toda hora na nossa frente e não podemos entender como Ele age… Eu não sei se fico triste ou alegre por pensar que eu vejo Amor e Paciência nisso, mas as pessoas parecem não perceber diretamente, ainda que provem dentro de seus momentos.
Partindo do pressuposto que uma pessoa não pode se exprimir plenamente sobre um sentimento/sensação/desejo se não estiver inserida na memória dela a palavra e a Ideia sobre determinada coisa, então, como para os antigos, como para nós que nos achamos tão amplos, não há como entender algo que não foi ainda concebido pelos meios de comunicação, embora a Ideia exista em algum plano superior, como já dizia Platão no Mito da Caverna.
Como eu falaria de Física Molecular à um povo que não sabe o que são as Moléculas? Eles teriam suas próprias palavras e meios de expressar o Insight sobre esse desconhecido mundo das partículas, de modo que à nós pareceria algo mais próximo do Misticismo (isso porque há séculos alguém que não entendia o Misticismo foi lá e deu à ele o carácter de algo imaginado pela mente humana sem qualquer compromisso com a realidade, o que é uma discordância total, uma vez que já Freud, Jung e outros trouxeram para o campo da ciência laboratorial, do racional e do lógico todos esses Insights dos nossos antepassados, embora alguns ainda façam questão de por uma venda nos ouvidos, olhos e mente – mas até a mesma Psicologia e a ciência do Desenvolvimento Biológico explicam essa atitude aparentemente esnobe e vaidosa).
Também não será assim quanto à nós que nos dizemos homens da Modernidade? Não haverão coisas das quais só temos os insights e nenhum amparo daquilo que a ciência de laboratório tem para oferecer? Não estarão em algum Livro, fora de nosso alcance ainda, codificados conceitos e ideias e pensamentos e materiais físicos e sólidos e objetos e teorias e um mundo que o nosso atual estágio de desenvolvimento não é capaz de captar o mais perfeitamente?
Não seríamos nós como os nossos antepassados?
Observando o Cinema de ficção científica, você pode perceber que as inovações trazidas estão sempre presas nos nossos conceitos atuais, embora nos pareça fascinante haver robôs humanóides num futuro não tão distante e viagens turísticas interplanetarias também num futuro não tão distante (o que o pessoal de uns 30 anos atrás diria que é pura loucura), ainda assim tudo o que conseguimos projetar materialmente é uma imagem um pouco distorcida supostamente para melhor desta atual realidade, nunca nada além do que nos pareça familiar. E isso, pelo menos no Cinema, é um limite da nossa criatividade. Vide, Odisseia no Espaço ou algo mais recente como Ex-Machina, tudo é fascinante, mas não está nada distante do que já conhecemos (mesmo as charges antigas com conteúdo de ficção científica não sabiam expressar bem o que hoje pensamos saber expressar, há uma confusão entre o que é material e o que não parecia material, fruto do desconhecimento da origem e modus operandi da Mente). E é este limite que me consome a procurar o que é que não nos foi dito ainda.
Sim, temos que estudar a Kabalah, o Zohar, o Yetzirah, o Talmud, mas não seriam eles continuações da Torah?
Eu realmente penso que são continuações, de modo que, não os procuro em traduções, mas na sua língua original. Porque do contrário do que dizem sobre certas línguas estarem mortas, elas vivem mutando dentro de outras palavras. E ninguém percebe? Ninguém sabe que o pecado de fornicar provém de uma estrutura física onde se cometia tal ato e por isso recebeu esse “nome”? Ninguém vai pesquisar isso, mas sai falando coisas à toa sem ouvir o que o Sagrado está falando a cada milésimo de tempo em que você deixa Ele escapar e entrar por sua boca!
O que eu realmente acho é que eu, sendo, por exemplo, uma molécula no corpo do Adam, assim como todas as outras pessoas ou seres desta realidade, sabemos enquanto Adam, em qual estágio do Tempo deste mundo a nossa centelha individualizada vai começar a procurar o seu nome no Livro Sagrado, então, sabendo exatamente em que encarnação as flores começariam a se abrir, foi implantado gatilhos para que aquela alma já tendo algum conhecimento de si, tivesse impressões e intuições a respeito de onde procurar no Livro o seu nome porque ele é uma das portas para o Redescobrimento
Por isso, para mim, a Torah-Tanakh está viva e está a falar agora porque tudo para ela acontece agora, e eu estou escutando-a dançar comigo a me responder. Ache o X do Tesouro.
É uma questão de lógica, tudo é, o método investigativo.
Então vemos que Deus está sempre usando métodos, e só me digam, por favor, os que querem ser incrédulos por petulância, métodos não é o que a ciência de laboratório usa? O Sagrado não é estúpido, pensar isso dele seria desmerecer a própria Ciência.
Quanto às pessoas não perceberem o que ouve e falam, deve ser um bloqueio necessário, visto que a Santidade não colocaria as duas Árvores no Jardim se ele realmente não quisesse que a gente fosse como ele, pois só sendo Alguém/algo para você compreender e abarcar esse Alguém/algo.
Eu acho que esse é o casamento oficial e geral. Não há nenhuma petulância e arrogância em querer estar dentro de Deus e ter Ele dentro quando se quer isso com Amor. Você respeita a Unidade e o Todo, a Singularidade e a Diferença, não o prende, mas Ele permanece porque Ele quer e você pode compreender quando ele precisa ir. Os apoiadores insensatos do Amor-Eros corromperam o sentido disso (que é belo por natureza), eles aprisionam, são possessivos e obcecados pela simples razão de que são carentes/vazios e não procuram investigar as razões para se curar, preferem por preguiça repetir os erros daqueles que cometeram erros contra eles. É a humanidade seguindo o curso que precisa ser.
Não há que ser muito estudado para procurar notar que em toda a nossa mitologia e crendices, da Austrália aos EUA, dos desertos árabes aos desertos peruanos, está todo mundo dizendo a mesma coisa sem entender quase nada. Bem, como no Star Trek em que um ser alienígena é o “Pai” do que ele chama de “minhas crianças”, num episódio sobre um planeta similar ao GanEden, a lógica pedagógica utilizada ali é bastante coerente, se são inocentes precisam ver as coisas primeiro sobre o filtro da inocência, concorrendo para que as suas mentes imaturas não sejam traumatizadas, e se vai inserindo progressivamente doses maiores de entendimento afim de que sejam adultos saudáveis, isso não quer dizer que não haverão joelhos ralados ou dentes perdidos num acidente de carrinho de rolimã, mas que as coisas têm seu método e o tempo para o método se organizar e fixar.
Também é assim que funciona a didática das fases do amadurecimento humano, pelo menos nos livros de Biologia. E também é assim que o mundo funciona, de jeito que eu realmente penso que há um outro Livro e eu preciso encontra-lo (uma metáfora para o aprofundamento). Depois, é claro, de correr sangue no suor investigando o que eu alcançar da forma que eu aprendi a investigar.
Essa é a verdadeira aparência de Moshe, nosso mestre, ao menos como se apresentou e agiu no mundo. Luz ele nasceu, luz é até os dias de hoje. Consultar capítulo 1 verso 1 de Bereshit/Genêsis.
Cuidado com o que as imagens e os sons do seu caminho do trabalho ao de sua casa SUGEREM à sua mente. Você é uma criatura totalmente SUGESTIONÁVEL! Como dizem, “a propaganda é a Alma do Negócio”, e a Alma conhece a Mente porque constroe ela.
Texto elaborado em 22 de Janeiro de 2021
>Parte III
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