Lições com Rabi Shimeon Bar Yochai

Este é um testemunho de aprendizado, e sabedoria, a sabedoria que vem através de parábolas e das histórias que são repassadas geração após geração para retificar as ações do homem. Como todo homem é igual a todo homem em seus medos, em seus vícios, em suas dúvidas, em sua fé, constantemente, o que um aprende serve de ensinamento ao que outro passa. Um homem ajuda a corrigir um outro através de seu exemplo, a vida de alguém é uma lição para outras vidas, pelo bem ou pelo mal, é sempre possível aprender mesmo onde parece não haver sabedoria nenhuma. Quando se tratar da vida de outro alguém, sempre se tratará da sua vida, de alguma forma estamos conectados, seja biologicamente, seja espiritualmente, a vida de um homem é a vida de todos os homens.

Rabi Shimeon Bar Yochai, de abençoada memória, não me soou tão importante até que cheguei a uma certa parte de sua biografia. O relato em questão, me chocou a primeira vez sobremaneira que julgaria que ele fora escrito diretamente para mim. Depois de ter estudado a Torah tantos anos numa caverna, mergulhado em seus deliciosos mistérios, quando saiu, condenou à um homem que fazia a lavra, ao rabi lhe pareceu terrivelmente ofensivo que houvesse alguém fazendo outra cousa que não estudando os segredos do Divino, como poderia haver trabalho mais deleitável e retificante que se dedicar ao Sagrado sob a luz de sua bendita Torah?

Resplandecente como a chama de uma preciosa vela, suas palavras e sentimentos tinham a leveza e o peso da Justiça, podiam torcer ou sustentar o Universo, como ainda fazem; rapidamente o homem de quem falara, extinguiu em meio a um fogo, então uma Voz do céu atenuou a situação, disse ao rabi que retornar-se à caverna, pois precisava estudar ainda mais, a que aprendesse a tomar cuidado com a santidade que adquiriu, e soubesse pesar onde devia ser pesado e amenizar onde se necessitava de leveza, não é para destruir a criação que estudamos sobre ela… Basicamente e usando as minhas próprias palavras, esse é o relato do acontecido.

Me surpreendi que mesmo um homem tão sábio ainda pudesse cometer deslizes, no que entendi que por mais que sejamos justos devemos nos manter em vigia para que não pesemos demais a nossa justiça. Senti humanidade no rabi através dessa pequena situação, ele não estava se mostrando uma figura inalcançável, visto que tantas vezes vi coisa igual acontecer na minha vida, só que agora eu alcancei a fórmula.

E como um aviso que vem sem que eu precise pensar sobre ele, todas as vezes que começo a julgar algo ou alguém nem que seja sem intenções, a memória carrega como uma voz que sai de um lugar que não compreendo, o aviso de que preciso sempre retornar à caverna.

Não! O que eu estou fazendo? Como posso condenar alguém por não está estudando o que eu estudo? Afinal todos têm uma posição no mundo, necessária, santa e justa pela ótica do movimento da criação e do Divino, e um modo de alcançar o saber e um ainda de aplicá-lo. Uma das primeiras coisas que aprendi na minha senda é de que a sabedoria pode ser percebida em absolutamente tudo, e em absolutamente tudo ela está.

Antes mesmo que eu complete meus julgamentos e condenações, o que aconteceu com o rabi Bar Yochai toma espaço na minha mente e na minha alma, e qualquer irritação a respeito de não conseguir compreender a atitude das pessoas, perde o sentido depreciativo e ganha o sentido de ordem. Ordem, sim… As coisas estão em ordem.

Então eu me acalmo, como domar uma tempestade…

Todas as vezes que acontece, é impossível a mim não me ver estupefata pela inteligência com a qual todo esse trabalho de retificação se dá, como algo acontecido à um homem que nunca vi, pode parecer ter sido feito para mim? Provavelmente porque é aplicável a todo e qualquer homem basta que lhe chegue o tempo certo, o tempo em que ele poderá perceber essas chaves que o conduzirão ao refinamento de seus atos e consequentemente de seu ser.

Está é a importância de Rabi Shimeon Bar Yochai no meu caminho, este é seu contributo, de dezenas de coisas que ele realizou a outros e ao mundo, essa é a chave que fiz para mim, a chave com a qual venho domando meus monstros de vaidade. O homem aprende com outro homem, é por isso que contamos histórias… as nossas.

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