Efeito Borboleta: Revela-te ó Realidade!

No dia 09 de Janeiro de 2021 tive um sonho perturbador que trazia à tona a minha preocupação psicológica de não saber identificar a realidade; para mim realidade queria dizer “a verdade”, mas já essa palavra vinha se esclarecendo de jeito que não confunde mais meu senso de existência. No dia de hoje, 01 de Outubro de 2021, quase 9 meses depois, faltam oito dias para tal, eu finalmente encontrei uma resolução para aquela angustia, e até mesmo uma resposta para o meu eu do sonho.

Passando os canais acabei por me deparar com o filme Efeito Borboleta, e ao fim dele compreendi algo. Jamais saberemos onde a vida de Evan Treborn começa, ou melhor, qual a linha do tempo original, afinal, a primeira situação já é uma modificação de algo anterior, prova disso são os seus apagões e sua falta de memória que já existem desde os primeiros minutos do filme, tendo que escrever os seus dias em cadernos, uma alusão perfeita àqueles que se dedicam a anotar os sonhos, não à toa, a viagem no tempo no filme é arquitetada como um sono mesmo, até os choques que ele sofre ao “acordar”, e as distorções no ambiente quando ele está “adormecendo”, sendo aquela realidade arquitetada, então, conhecida como sonho.

Ignorando o universo em que o personagem pai dele existe, uma vez que tudo isso se tornaria confuso demais, posto que Evan não seria protagonista ali, mas seria mais uma das muitas cartas que seu pai movimenta, podendo, então ser de qualquer outra forma que a nós que estamos presos no universo de Evan não poderíamos identificar senão dentro do universo de seu pai, vamos, então, focar somente no que nos foi apresentado.

Não conhecemos o princípio tampouco conheceremos o fim disso, o que nos é dado é somente uma escolha, uma escolha a uma linha temporal em detrimento de todas as outras, em nenhum momento tudo o que é possível deixou de existir dentro da sua possibilidade de existir, podemos chama-las de “fetos” (em alusão ao que não nasceu, mas poderá nascer), elas apenas se tornaram ocultas ao conhecimento existencial da atual realidade de Evan, mas aquelas que ele acessou permaneceram em sua lembrança, como organismos dormentes, podemos chama-las “zumbis” (em alusão a uma falsa-morte), elas apenas se tornaram ocultas ao senso de consciência dos outros, mas vivem lá dentro deles como uma impressão, a prova disso é a cena final em que ao passar por Evan, Kayleight se vira e olha claramente como se procurasse lembrar de onde pode ter visto aquele homem, por que algo familiar surge dele? Essas são as nossas memórias-zumbis.

Nesse caso, Evan também teria memórias-zumbis advindas de seu pai e de qualquer outro em cujo mundo ele, Evan, não passaria de mais um fantoche, são essas memórias-zumbis que antecedem os primeiros minutos do filme, aquilo que jamais poderemos conhecer porque está fora do mundo que nos foi apresentado, e, portanto, e consequentemente memórias-fetos.

Ele entra num torvelinho cujo giro parece sem fim a medida em que ele se desespera com as situações. Ao perceber que perdeu o controle, tenta recuperar a estabilidade, tenta encontrar uma realidade na qual todos estejam bem ou razoavelmente bem, é então que ele aceita esnobar as lembranças e talvez acredite que as coisas realmente estão organizadas agora. Ele fugiu da angústia, e de alguma forma, ainda que inconsciente do que fazia, acessou a fórmula para alguma estabilidade, ainda que não a tenha percebido. A questão é essa:

Há constantes em todas as linhas temporais, embora a situação sempre mude, e mudará inumeráveis vezes.

Há personagens e circunstâncias que não variam, eis aqui algumas delas. Os quatros amigos, aconteça o que acontecer, os três amigos de Evan são personagens constantes em todas as tramas; um pai abusador e pedófilo, e veja bem, não falo do pai em si, mas dessas características dele, ainda que em alguma outra linha temporal ele se torne um homem melhor, anteriormente está na ficha dele ser um pedófilo, por isso em uma das linhas ele passa a abusar do filho e não mais da filha, o mesmo acontece com a propensão violenta do personagem Tommy consequência da propensão abusadora, (outro segredo fantástico porque isso demonstra que Evan está preso naqueles eventos embora eles repassem de um personagem a outro, se transformando como um mutante que assume aparências distintas, a essência é a mesma, isso pode ser chamado de vida, existência ou coisa assim, roteiro…), em uma das linhas temporais ele, Tommy, muda de atitude, mas não aparece em nenhuma não tendo essa propensão, caso acontecesse a programação seria outra fugindo do alcance daquele universo.

A dinamite também é uma constante, uma vez que está em todas aquelas possibilidades, não importa se será usada ou como será usada, se explodirá na caixa de correio ou na mão da garotinha, ou ainda se ela nem for acesa, ainda estará lá e haverá outro motivo para que ela seja o pivô de algo. Pivô esse ainda que de algo aparentemente pequeno, ela é uma ponte segura entre as situações que são maleáveis. Outra ponte segura, ou constante é o Doutor Redfield, ele é o responsável por averiguar o “problema” de Evan, e, também foi o responsável pelo pai dele. O período da faculdade também é outra circunstância que não muda.

E sim, é por essas imutabilidades que podemos reconhecer a verdade, elas são o real, o que de fato existe, mas naquela vida, naquele roteiro, e esse é o primeiro passo. Como prova disso eu compreendo a cena final que sugere que tanto Evan quanto Keyleight se conheceriam, por mais que ele faça o que faça para não deixar isso acontecer, de fato, aqueles pequenos segundos em que ela retorna os olhos para ele e ele reconhece ela na multidão, apesar de seus olhares não se cruzarem e ficar incerto se haveria algo mais que aquilo dali, aqueles rápidos segundos são o que considero mais importante no filme porque eles deixam claro que é inevitável, os pontos fixos são inevitáveis porque eles são as peças do xadrez, e as peças inevitavelmente existem e dançam entre si, sem elas não há jogo (ou jogos). Sem elas não há qualquer jogada!

Correndo contra o Tempo é um filme de 2019 que também passou na tarde de hoje, é como se o dia se tivesse dedicado a esse tema, de consertar o presente retornando ao passado, mas os filmes só vão até aí, eles escolhem uma dessas possibilidades maleáveis e passam a ignorar que muito provavelmente ela é o resultado de uma corrupção futura e não de uma corrupção anterior, ou seja, já é passado e é um passado perfeito porque o futuro (presente) retornou para consertá-lo. Isso será realmente complexo de ser entendido, mas é como é. Inevitavelmente o que está bom agora ficará defeituoso, de modo que não poderemos enxergar o defeito até que estejamos lá no futuro. Isso é a filosofia de vida, muito mais do que ficção científica ou teria mirabolante.

No meu sonho em questão eu sei distinguir realidades, que é aquela quando acordo e aquela quando deito e estou sonhando – e mesmo nelas há circunstâncias e personagens inalteráveis –, mas então entro em conflito justamente por poder estar em ambas e por poder estar em ambas, não consigo saber em qual ficar, isso é um baita problema, o que aprendi hoje é reconhecer os pontos fixos, aquilo que não sai de cena. Não é tão simples como no cinema, em que as caras são as mesmas, na nossa vida, nos nossos sonhos, um prazer pode tomar um rosto humano, ou mesmo um rosto humano pode se tornar abstrato ou uma figura disforme; é como conhecer alguém que gosta de sorvete, mas então sonhar com a Antártida e reconhecer na simbologia da Antártida aquela pessoa que gosta de sorvetes. Assim também no mundo onde pisamos poderemos reconhecer nossos receios e vontades em tudo o que se comunica conosco, e ser sábio para não transferir – de modo doentio – o que somos para algo que está fora de nós, como olhar para a cadeira cor de rosa e detestá-la porque em verdade é a cor que incomoda, nesse caso pintar de azul ajudaria, mas enquanto esse sentimento existir, ele será transferido para qualquer coisa ou mesmo pessoa que porte o cor de rosa, e quando não pudermos interferir na escolha de uma pessoa em optar por blusas cor de rosa, simplesmente vamos odiar todo o conjunto!

As coisas fixas elas são reais, elas são o que somos agora e elas se repetirão não importa o quão diferentes sejam as situações. Mas também vale a pena questionar, Evan está a todo momento tomando o próprio corpo dele e sobrepondo sua mente à mente do pequeno Evan que realiza coisas que em verdade não está realizando. Embora imperceptível e difícil de assimilar, mas o Evan criança e o Evan adulto são duas pessoas diferentes, dessa forma o Evan adulto é um invasor! Tais coisas acontecem diária e constantemente na nossa vida, mas estamos tão dormentes que julgamos que somos nós mesmos que realizamos. Quem seria então, esse invasor? Sempre o seu futuro e o seu passado. Não conseguimos distingui-los, por isso deixamos os detalhes passar, detalhes que fariam toda a diferença. Apenas saiba reconhecer o que você fez neste exato momento que sabe que neste mesmo exato momento não teria feito se tivesse pensado bem…, mas não conhece os motivos do porquê agiu como agiu!

É interessante que, Evan ganhe novas memórias, mas não perca as anteriores. Ele se torna, literalmente, responsável pela vida das pessoas que ele carrega com suas habilidades, e é por isso que a única opção que ele aceita antes de descobrir que sua mãe sofre de câncer de pulmão, é aquela em que ele, até o momento, é o único com problemas, o único que sofre, está sem braços e paralisado numa cadeira de rodas, aquilo soou justo, mas se mostrou impossível, simplesmente porque não era o fim e não há um fim porque se houvesse aquele seria o final justo dentro do universo do Evan, seria a compensação para todas as linhas do tempo em que os outros sofrem por causa das alterações do viajante!

Se colocarmos cada um daqueles personagens dentro de seus próprios universos e imaginarmos como seria ver de longe… a justiça pareceria fragmentada e incompreensível para aquele que olhasse de dentro. É o que acontece. Mas a justiça não está fragmentada, ela é o todo, está dispersa como uma névoa invisível atingindo tudo! Na cena-situação da deficiência física, como o Evan ela, a justiça, é consciente, mas na cena-momento da garçonete suicida Kayleigh ela, a justiça, é inconcebível.

Em 29 de Outubro de 2020 estava previsto que eu escreveria esse texto hoje, a imagem acima colhida do filme é uma confirmação de que hoje nunca deixará de ser ontem, tampouco ontem deixará de ser amanhã. E todos esses tempos são conhecidos do homem, alterados e elaborados por ele. Resolva essa questão!

Para um entendimento esotérico baseado no Zohar e no Shaar HaGilgulim, leia a segunda parte.

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