A Caverna do Aluno

Este é um pequeno ensaio filosófico e poético que especula o movimento da Sabedoria na reconstrução do Ser-homem. Está de acordo com os meus atuais conhecimentos de existência e de Cabalah da Torah, por isso tende em conta que o que é dito, assim foi alicerçado no que os nossos mestres nos ensinaram, e encontra-se cifrado a respeito de alguns temas sobre o Gilgul (reencarnação, conforme se pode estudar pelo livro Shaar HaGilgulim)


Supondo que o homem seja uma região no mapa de um mundo, e essa região é povoada de metrópoles e cidadelas, onde todo tipo de coisa boa e ruim acontece, então para vir à esta região, os sábios envolvem-se no escudo da Sabedoria, e ela é por ela mesma os poderes que estes possuem, poderes capazes de cegar os sentidos dos seres que cá governam, a lhes turvar a visão e a percepção para que não identifiquem o sábio que vem às cidades e não planejem contra ele intenções.

Ao adentrar no torvelinho destas calamidades governadas por essas forças hostis e por outra, demasiado amenas, esses justos mestres de justos, percorrerão os caminhos que os farão chegar até a Caverna Oculta, e lá ensinarão a alma deste prisioneiro – lupanar de ideias estrangeiras em sua própria terra. Nem toda a alma poderá subtrair-se de sua localidade no corpo deste mundo, pois elas devem sua hospedagem àqueles que lhes construíram tendas e por meio do salário das quais podem construir as tendas que abrigam as partes dessa alma.

Mas somente uma faísca dela, a alma-memória, o pequeno fogo que se alastrará disfarçadamente por todo o corpo do espírito, essa pode ir e vir sem que lhe notem a ausência ou lhe percebam a presença, e tornar-se-á a se juntar e mesclar às outras, suas irmãs. E então é sabido que aquele homem se retirou e retornou para nutrir o seu corpo-de-luz, sem que se dessem por conta os demônios e os anjos que habitam nestas populações, pois estes se ocupam somente do corpo-de-terra.

Assim é que há muitas camadas dentro de um único sonho, e tenho isso por experiência; as mais exteriores, onde estão os constructos, as tendas, prédios e residências que formam as ilusões do Ser Em Estado (o Estar), são cimentadas e elaboradas sobre as vigas dos desejos e do medo, pois nos desejos está o reinado de Satan e no medo a força de seu punho contra as nações. Mas o deserto (tão cheio de vida! E atente-se para isso), creio eu, pois tenho alguma intuição de que ele, o já mencionado, encontra o seu próprio pânico no Silêncio que nasce na luz materna do pensamento e pode vir a se tornar uma luz paterna que tudo abarca, e é lá nessa camada interior muito profunda e escondida que existe a pequena caverna, o oásis, ainda mais oculto por um véu de areias e vento que não permite a nenhum intruso enxergar, é que o mestre carrega o seu aluno.

O movimento das metrópoles não nos deixa pensar e esse é o seu objetivo, e constantemente se diz que o pensamento é o inimigo do homem porque constrói para ele esses mundos nos quais é constantemente escravo. Mas a dúvida também provém do pensamento, e é a dúvida o freio do homem, para o bem e para o mal. A Caverna do Aluno não é uma desabitação, porque esse seria um lugar óbvio para se procurar. Os sábios andam entre as multidões sem que sejam revelados a não ser àqueles aos quais vieram revelar-se.

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